19
Abr 04

Mandala.jpg Mandala do Tibete Central, séc. XIV; 68,5 x 60 cm.


Construção geométrica que se traduz em vários níveis de significação e que apoia e facilita a meditação pessoal. Simboliza o homem no mundo e representa um palácio com quatro portas voltadas para os quatro cantos do mundo. 


Recomendo o artigo de Ana Torradinhas, intitulado «Sincretismos religiosos nas mandalas budistas tibetanas ( uma pequena introdução)», publicado no nº 0 do Expresso Oriente Boletim de Estudos Orientais.

publicado por Francisco Caramelo às 23:53

18
Abr 04
oraculo.jpg Os primeiros vestígios de escrita chinesa parecem estar datados do período Shang (c. 1200 a.C.) e constituem inscrições de oráculos em ossos (jiaguwen). Estas inscrições parecem corresponder a uma forma de adivinhação.
publicado por Francisco Caramelo às 20:29

                                  Cristo; c. 350-360, Mediterrâneo Oriental


Bud.jpg


Buda; sécs. II-III, Paquistão


A força cultural do Helenismo persistirá muito para além da morte de Alexandre e do desaparecimento dos reinos helenísticos que resultaram da cisão do Império, os quais acabaram por se eclipsar perante a expansão de Roma e da Pártia. O impacto e a influência helenísticas continuarão, no entanto, a fazer-se sentir no Oriente mesmo já durante os primeiros séculos da Era Cristã. É esse paradigma helenístico, que se faz sentir desde o Egipto até à Índia, que produz estas similaridades nos modelos estéticos de representação iconográfica de Buda e de Cristo.

publicado por Francisco Caramelo às 10:58

17
Abr 04

 


Paralelo.jpgÀ esquerda: Guanyin com criança ao colo; China, séc. XIX. À direita: A Virgem  e o Menino; Constantinopla, sécs. XI-XII.


A procura de paralelismos culturais, religiosos e estéticos em civilizações diferentes torna-se, por vezes, obsessiva e conduz, frequentemente, a comparações e a extrapolações excessivas, tanto no domínio do texto como no âmbito da imagem e do visual. Algumas dessas comparações são, no entanto, estimulantes e obrigam à reflexão. É o caso destas representações de Guanyin e da Virgem. O que está em causa é o paradigma cultural e religioso que se encontra subjacente a cada uma destas imagens. Guanyin representa na religião popular da China uma deusa da misericórdia. No Japão, Guanyin era conhecida como Kannon. Por vezes representada com uma criança ao colo, significava a dádiva às mulheres sem filhos. Os missionários cristãos no Japão do séc. XVI veneravam clandestinamente Nossa Senhora na imagem de Kannon. O par não tem o mesmo significado numa e noutra religião mas o que é interessante é a forma como se deu a recepção visual de Guanyin / Kannon entre os missionários católicos.  

publicado por Francisco Caramelo às 15:34

16
Abr 04

Nicolau de Orta Rebelo descreve o seu périplo pelo Oriente, registando as impressões sobre o que vai observando. Este trecho ilustra a chegada do viajante português à Mesopotâmia.


«Desta Aldea nos partimos ao Seguinte dia as 9 horas de pela manhãa, atravessando hum pedaço de dezerto, que nos alli ficava mais curto athe chegarmos ao Rio de Alá, em o qual caminho gastamos dous dias, o qual Rio está de Babilónia duas Legoas grandes, mas vem se os Edificios, e os Alcorões [minaretes] claramente, a donde se ajunta com o Rio Tygris. He este Rio de Alá de grande fundo, terá de largo hum tiro de espingarda corre cõ mt.ª // serenidade, e brandura. E he isto tanto assim , que me foi necessario pª saber para q parte corria, botar hum cospinho nelle e ver para onde mo encaminhavão suas claras agoas: há nelle de contino barcas, que passão de hua parte pª a outra junto a paragem donde Se mete no Tygris.»


Relação da jornada que fez Nicolao Dorta Rabello

publicado por Francisco Caramelo às 19:50

14
Abr 04
Arabes.jpg
Mais uma vez Gérôme como exemplo do interesse europeu pelas paisagens diferentes, pelo deserto, e pelas culturas não-europeias.
publicado por Francisco Caramelo às 00:26

13
Abr 04

«Na estratégia, é importante ver as coisas distantes como se estivessem próximas e observar de longe as coisas próximas. É importante conhecer a espada do inimigo e não se distrair com movimentos insignificantes produzidos por ela.


Myamoto Musashi, O Livro dos Cinco Anéis

publicado por Francisco Caramelo às 10:03

12
Abr 04

Melro.jpg Poisara no muro, o melro-de-peito-branco, observador, curioso, inquieto com aquelas estranhas criaturas que esgravatavam a terra seca e poeirenta. Havia dias que o faziam sem que ele entendesse o propósito de todo aquele afã. Não fazia qualquer sentido. É certo que era um melro recém-chegado, atraído pelas margens do grande rio e ignorante das peculiaridades locais. De vez em quando, afastava-se um pouco para explorar o território e foi numa dessas aventuras controladas que o melro-de-peito-branco deu com o inusitado ajuntamento. Sim, porque o seu espírito aventureiro tinha limites e não era dado a grandes afoitezas.


Nessa manhã, voara sobre as areias doiradas e cálidas do deserto e, contemplando em redor, avistou os palmeirais lá longe. Lançou-se e deixou-se levar por uma suave brisa que o embalou, numa viagem mais demorada do que supusera, até ao muro onde descobriu o estranho bando. Era um pássaro que se interessava pela vida, pelos hábitos e pelos rituais de outrem. Em particular, fascinavam-no estas criaturas humanas. Desde que as descobrira, passara a observá-las com uma curiosidade incontida, dia após dia. Todas as madrugadas, arribavam a este lugar, sem qualquer interesse especial, longe do grande rio, com as palmeiras em fundo, o único verde que se avistava por perto. Atravessavam a aldeia, uma espécie de formigueiro, onde a azáfama era permanente e os cheiros nauseabundos. Começavam então a dispor-se sobre o terreno e a esgravatá-lo metodicamente. Assim parecia.


Ao terceiro dia, deram pela sua presença e a partir daí faziam sempre uma grande festa quando o avistavam, coisa que ele realmente não compreendia. No início, até se sentira incomodado e ia-se embora bruscamente quando começavam com manifestações mais expressivas. Era um melro discreto. Com o tempo, começou a dar-se conta de certos detalhes relativos a cada uma das criaturas. Uma delas, que lhe lembrava uma garça-real, era a única que não esgravatava. Sentava-se à distância, observando, e parecia ter uma estranha obsessão pela limpeza do terreno. Debicava aqui e acolá e logo se sentava de novo. Gostava de se pôr ao sol e, com preguiça, esticava ora a perna esquerda ora a direita. Tinha um especial cuidado com o aprumo das penas. Para além disso, dava-se ares de quem trabalhava muito e limitava-se a dar ordens que até a ele pareciam confusas. Parecia ser essa a sua única missão.


Naquele dia, porém, a garça-real estava particularmente activa, debicando afanosamente. Ao contrário dos outros dias, também esgravatava, e furiosamente, como se procurasse alguma coisa em especial. Arrastava pedra atrás de pedra. Isso preocupou o melro-de-peito-branco. Embora não simpatizasse com a garça-real, quis avisá-la da imprudência do que estava a fazer. Sob uma daquelas pedras poderia estar um escorpião. É certo que a sua mordedura não seria fatal mas causaria estragos. Ainda piou várias vezes: um escorpião… um escorpião… um escorpião… Nenhuma das criaturas o escutou. Arrastada a terceira pedra, descobriu-se um escorpião. Parecia o destino. O escorpião cumprira a sua missão. O melro-de-peito-branco disse para si próprio: “eu avisei… eu avisei!”. Mas a verdade é que, reflectindo melhor, agora que a conhecia bem, sabia que a garça-real acabaria por se ferrar a si própria mesmo sem a ajuda do escorpião.

Otto Ernst, Memórias
publicado por Francisco Caramelo às 19:53

«O Mestre disse: "Quando encontram alguém melhor que vós próprios, voltem os vossos pensamentos para se tornarem iguais a ele. Quando encontram alguém que não é tão bom como vós, olhem para dentro e examinem-se a vós próprios». (...)



«O Mestre disse: "Não levaria comigo ninguém que tentasse lutar com um tigre de mãos desarmadas ou que tentasse atravessar o Rio e que morresse no processo sem lamentações. Se eu levasse alguém, teria de ser um homem que, ao enfrentar uma tarefa, tivesse receio de falhar e que, embora amigo de fazer planos, fosse capaz de uma execução bem sucedida». (...)



«O Mestre disse: "Uma vez, passei todo o dia a pensar sem comer e toda a noite a pensar sem me deitar, mas descobri que não lucrei nada com isso. Teria sido melhor ter passado o tempo a aprender».

publicado por Francisco Caramelo às 10:31

Prayer on the Housetops  Gerome.jpg


O fascínio orientalista percorreu o Ocidente, e a Europa em particular, ao longo de todo o séc. XIX. A redescoberta do Egipto durante o consulado napoleónico e mais tarde o interesse que diplomatas, militares, e outros manifestaram pelo Oriente foram também marcantes na arte. Surgiu uma moda orientalista na Europa. Jean-Léon Gérôme (1824-1904) foi um desses pintores que se deixaram cativar pelos temas, pelas paisagens, pelos aspectos orientais e orientalizantes. À semelhança do que se verificará com vários escritores, também os pintores procurarão inspiração no Levante, levando a cabo viagens de exploração dessas terras fascinantes. Gérôme visitará o Egipto na década de cinquenta do séc. XIX, alargando posteriormente a sua curiosidade a outras terras do Levante.

publicado por Francisco Caramelo às 00:35

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