27
Abr 05
Chegaram hoje ao fim os dois dias das jornadas sobre filosofia indiana na FCSH da UNL. Tive o privilégio de assistir a magníficas conferências de sumidades no âmbito dos estudos indianos. Destaco, sem desprimor para as restantes, duas em particular: 1) a de Roger-Pol Droit sobre «La philosophie des barbares: la représentation grecque des philosophes indiens»; e a de Charles Malamoud sobre «Y-a-t-il une philosophie du rituel?». Roger-Pol Droit mostrou-nos que a ideia de que só os gregos tinham uma filosofia terá sido uma concepção estranha ao próprio pensamento e à literatura grega. 2) Charles Malamoud produziu nos que o ouviram um encantamento profundo, com a sua erudição mas simultaneamente com a sua clarividência, reflectindo sobre a natureza e sobre a gramática do ritual nos textos. Está de parabéns o CHAM e a Ana Salema que se encarregou da coordenação científica.
publicado por Francisco Caramelo às 23:39

Está desde ontem, dia 26, a decorrer na Fund. Gulbenkian uma feira de livro que vale a pena visitar. Os livros têm a qualidade que reconhecemos na Gulbenkian e os preços são realmente muito convidativos. Passem por lá e observem.
publicado por Francisco Caramelo às 01:21

25
Abr 05

De vez em quando, desejo vogar para ocidente. Chamarei a este espaço ex adverso, pois procurará o contrário, o outro do outro…


 


A crónica do José Gil, Linhas de Fuga, publicada no Courrier Internacional de 15 de Abril, reflecte, a certa altura, sobre o carisma, sobre a forma como a televisão e a cultura mediática o transformaram. O carisma pressupõe silêncio e sombra; ex adverso, vivemos hoje o tempo da imagem, o tempo do horror ao vazio e ao silêncio. Como diz José Gil, «não há carisma sem silêncio» e, aparentemente, a imagem, na sua voracidade, substitui o silêncio e a sombra, sustentando, no entanto, verdades muito mais efémeras. Não será assim?

publicado por Francisco Caramelo às 22:35

23
Abr 05
As Jornadas de Filosofia Indiana decorrerão na Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, a 26 e 27 de Abril. Trata-se de uma organização do Centro de História de Além-Mar. Está prevista a participação de investigadores e académicos de renome internacional como Roger-Pol Droit (CNRS), Carlos Silva (UCP), Paola Rossi (Università di Padua), Michel Hulin (Paris IV), Victoria Lyssenko (Russian Academy of Sciences), Charles Malamoud (EPHE), F. Zimmermann (EHESS). A encerrar o segundo dia de trabalhos, haverá uma mesa redonda com a participação de Michel Hulin, Jorge Croce Rivera, Gilles Tarabout e Roger-Pol Droit.
publicado por Francisco Caramelo às 11:11

22
Abr 05

Quase haiku


 


Que terror te ergueu


pétala a pétala


para eu desfolhar,


ó manhã de oiro.


 


Eugénio de Andrade, Ostinato Rigore Pequeno Formato

publicado por Francisco Caramelo às 12:04

20
Abr 05

3.jpg


Jerusalem from the Mount of Olives, Sunrise (1859) 


Edward Lear, 1812-1888.

publicado por Francisco Caramelo às 15:15

18
Abr 05
"Qual é o sentido da vida? Ser feliz e ser útil."

Dalai Lama
publicado por Francisco Caramelo às 23:06

17
Abr 05
Amanhã, terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa o colóquio sobre «A guerra na Antiguidade». As conferências decorrerão de manhã e de tarde, no Anfiteatro III, e terão início pelas 10.30. A organização é do Centro de História (U.L.) e do Instituto Oriental (FLUL).
publicado por Francisco Caramelo às 21:09

15
Abr 05

Acabei de reler um pequeno conto, «Kali decapitada», em Marguerite Yourcenar,  Contos Orientais. A salvação de Wang-Fô e outros. Que escrita envolvente, a de Marguerite Yourcenar. Fascina-me a forma como ela recria a lenda e o mito, elementos tão presentes no pensamento oriental. Depois, em cada história, intui-se a mensagem de Yourcenar, que nos é dirigida, a nós, leitores de hoje, convidando-nos implicitamente a descobrir uma moral e uma crítica à sociedade actual. Pergunto-me se o oriente não representa aqui uma evasão, um descentramento, uma forma de olhar o ocidente mergulhando na alteridade e na diferença, talvez não em si mesma mas como nós a imaginamos.


 


O conto cativa-nos. Kali era um «nenúfar da perfeição». Vítima da inveja dos outros deuses, foi degolada numa noite de eclipse e mais tarde ressuscitada. A cabeça da deusa foi colada ao corpo de uma prostituta. Kali apresentava agora uma dupla natureza e tinha consciência disso: «A minha cabeça tão pura foi soldada à infâmia - disse ela - quero e não quero, sofro e contudo exulto, tenho horror à vida e terror da morte.»


Kali vive esta existência paradoxal. Um dia, encontra um sábio na orla da floresta - o Sábio. Confessa-se-lhe. Este responde-lhe: «Todos nós somos incompletos - disse o Sábio. - Todos somos divisão, fragmentos, sombras, fantasmas sem consistência.»


Finalmente, conclui: «O desejo instruiu-te sobre a inanidade do desejo - disse ele; - e a pena que sentes ensina-te que não vale a pena ter pena».

publicado por Francisco Caramelo às 09:58

14
Abr 05
"Embora saiba voar, o pássaro acaba sempre por ter de pousar na terra."

(Provérbio tibetano)
publicado por Francisco Caramelo às 23:42

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